quinta-feira, 2 de abril de 2009
The wrong way.
Muitas vezes algumas pessoas (inclusive as mais experientes) me advertiram sobre minha maturidade, velhice precoce, sobre a culpa desnecessária que carrego nas costas, sobre a preocupação que tenho com quem me cerca e elas estavam completamente certas, eu sei bem disso. Sem mais rodeios, eu sou sim muito paranóica, muito protetora e isso atrapalha muito minha vida. Atrapalha bastante porque enquanto eu protejo, ensino, minha maior vontade é de ser devidamente amparada, de que me tratem exatamente como trato a maioria das pessoas. E a maior contradição é que eu sou justamente a caçula, a que além de gostar desse tipo de tratamento devia fazer tudo e qualquer coisa para recebê-lo. É engraçado como às vezes finjo um pensamento tortuoso, só para ser um bocadinho mais menina, só para ter alguns preocupados em me mostrar o caminho sensato. Às vezes tenho vontade de assumir o que deveria ser meu verdadeiro papel.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
E foi quando ela abandonou o café, banhada no tipo de chuva que não molhava nada além que sua alma, sabia que sua inconstância assustava, não só aquele garoto homem aparentemente humano, mas a si própria, vinda de qualquer cauda de cometa alguns anos-luz atrás. O café permanecia em seu estômago maltratado pela gastrite nervosa e seu destino dormia preso a um porto desconhecido, onde em breve ele iria chegar. Ela sabia que o seu poder era completamente limitado, que seu espelho havia sido quebrado em quatorze partes, todas desiguais, e que suas palavras eram mais abrangentes do que o alcance de seus olhos cansados. Ela conseguia ver pouco e seu coração via coisas sem traduções cabíveis, que vez ou outra dava tapas na cara da razão. Ele sabia disso. Caso não soubesse, teria agarrado-se a ela. Mas a chuva caía e a luz de interior dele era fraca. Sua alma estava molhada e em paz. Nesses dias, andar sozinha pelas calçadas do asfalto é muito mais seguro que tentar desvendar mares e explorar espaços siderais.
Cruel Love - Luke Pickett
Cruel Love - Luke Pickett
sábado, 28 de março de 2009
So much for my happy ending.
Senta aí, presta atenção, agora vou lhe contar uma história. Uma história daquelas em que o final não é feliz. Não quer escutar? Não? E se o final fosse feliz para sempre, repleto de árvores floridas cobrindo os corpos de dois amantes? Mas eu não sei contar histórias alheias do que aconteceu comigo.
Como é? É melhor eu ficar quieta? Sim, eu sei. O mundo está coberto de infelicidades. Os contos com finais felizes são válvulas de escape. Mas, esperas um pouco... Queria tanto contar uma história! Ela é bonita, vai por mim! Certamente uma lágrima emocionada cairá em seu rosto. Não? Não queres chorar? Mas chorar não é somente ruim. Às vezes uma lágrima liberta uma estrondosa emoção aprisionada. Outras vezes faz com que o universo inteiro consiga uma nova alma colorida. Mas eu entendi, tu não queres chorar. Tudo bem, então não chores. Vou tentar ser mais agradável em minhas emoções. Não colocarei na história aquele revestimento de sangue, rancor e dor para não te provocar as lágrimas. Como? Mas então a história não ficaria sem graça? Provavelmente! Tu queres o final dos contos de fadas, cavalos brancos e princesas! Meu bem, eu não sei fugir da realidade dessa maneira. As fadas e seus contos nunca existiram. Não me chames de insensível. Tu não sabes o quão sensível eu sou, só não sei mentir. Não mais. Tu achas que não acredito na felicidade? Sim, vou te dizer uma coisa: se acreditasse na felicidade, teria que duvidar de minha própria vida. E estou viva. Não consegues me ver?
Como é? É melhor eu ficar quieta? Sim, eu sei. O mundo está coberto de infelicidades. Os contos com finais felizes são válvulas de escape. Mas, esperas um pouco... Queria tanto contar uma história! Ela é bonita, vai por mim! Certamente uma lágrima emocionada cairá em seu rosto. Não? Não queres chorar? Mas chorar não é somente ruim. Às vezes uma lágrima liberta uma estrondosa emoção aprisionada. Outras vezes faz com que o universo inteiro consiga uma nova alma colorida. Mas eu entendi, tu não queres chorar. Tudo bem, então não chores. Vou tentar ser mais agradável em minhas emoções. Não colocarei na história aquele revestimento de sangue, rancor e dor para não te provocar as lágrimas. Como? Mas então a história não ficaria sem graça? Provavelmente! Tu queres o final dos contos de fadas, cavalos brancos e princesas! Meu bem, eu não sei fugir da realidade dessa maneira. As fadas e seus contos nunca existiram. Não me chames de insensível. Tu não sabes o quão sensível eu sou, só não sei mentir. Não mais. Tu achas que não acredito na felicidade? Sim, vou te dizer uma coisa: se acreditasse na felicidade, teria que duvidar de minha própria vida. E estou viva. Não consegues me ver?
Assinar:
Postagens (Atom)


